ISKCON Bahia
Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna
Acarya fundador: Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

História – Putrada Ekadashi


* História do Putrada Ekadashi

Yudhishthira Maharaja disse: “Ó Senhor, explicastes tão bem as glórias do auspicioso Saphala Ekadashi, que ocorre durante a quinzena obscura do mês Pausha (Dez/Jan)”. Agora por favor, seja misericordioso para comigo e explique o Ekadashi da quinzena luminosa deste mês. Qual é seu nome, e que Deidade deve ser adorada neste dia sagrado? Ó Purushottama, ó Hrshikesha, por favor, também me conta como podes ser satisfeito nesse dia.

O Senhor Shri Krishna respondeu: Ó rei para beneficio de tida humanidade, relatarei para ti como observar jejum no Pausha – sukla Ekadashi.
Conforme expliquei anteriormente todos devem observar as regras e regulações do Ekadashi ao melhor de sua capacidade. Esta injunção se aplica ao Ekadashi chamado Putrada, que destrói todos os pecados e nos eleva a morada espiritual. Sri Narayana, o Senhor Supremo e Personalidade original, é a Deidade adorável nesse Ekadashi, e para Seu devoto fiel, Ele alegremente realiza todos os desejos e realiza plena perfeição. Assim entre todos os seres animados e inanimados nos três mundos, não existe melhor personalidade que o Senhor Narayana.

Ó rei agora narrarei para ti a história do Putrada Ekadashi, que remove todos os tipos de pecados e nos torna famosos e eruditos.
Uma vez havia um reino chamado Bhadravati, que era governado pelo rei Suketuman, sua rainha era a famosa Shaibya. Porque não tinha filho, ele passou longo tempo em ansiedade, pensando: “Se não tiver um filho, quem irá continuar minha dinastia? ” Desta maneira o rei meditou em uma atitude religiosa durante longo tempo pensando: “Onde devo ir? Que devo fazer? Como posso conseguir um filho? ” O rei Suketuman não conseguia a felicidade em lugar algum em seu reino, mesmo em seu próprio palácio, e em breve estava passando mais e mais tempo dentro do palácio de sua esposa, pensando melancolicamente apenas em como conseguir um filho.
Assim ambos, o rei e a rainha Shaibya estavam em grande sofrimento, mesmo quando ofereciam tarpana (oblações de água para seus antepassados), sua miséria mútua os fazia pensar que era tão impossível beber quanto água fervente. Pensavam que não teriam descendentes para oferecer-lhes tarpana quando morressem. O rei e rainha estavam especialmente perturbados por saberem que seus antepassados estavam preocupados que dentro em breve não haveria mais ninguém para oferecer tarpana.

Após saberem da infelicidade de seus antepassados, o rei e a rainha tornaram-se mais e mais miseráveis, e tampouco os ministros, amigos, nem entes amados conseguiam alegrá-los. Para o rei seus elefantes e cavalos e infantaria não eram consolo, e afinal ele ficou praticamente inerte e desamparado.
O rei pensou: “Dizem que sem filho o casamento é perda de tempo, de fato, para um chefe-de-família sem filho, tanto seu coração e sua esplendida casa, permanecem vazios e infelizes. Destituído de filhos, um homem não consegue liquidar suas dividas com seus antepassados, os semideuses e outros seres humanos. Portanto todo homem casado deve tentar conceber um filho; assim ele poderá se tornar famoso dentro deste mundo e afinal alcançar os auspiciosos reinos celestiais. Um filho é prova das atividades piedosas que um homem realizou em suas cem vidas pretéritas, e tal pessoa obtém longa duração de vida neste mundo, junto com boa saúde e grande fortuna. Possuir filhos e netos nesta vida prova que se adorou o Senhor Vishnu, a Suprema Personalidade de Deus no passado. As grandes bênçãos de filhos, fortuna, e inteligência aguda, podem ser conseguidas apenas por adorar o Senhor Supremo, Sri Krsna, isto é minha opinião”.

​​​​​​​Pensando assim, o rei não tinha paz. Permanecia em ansiedade dia e noite, desde a manhã até a noitinha e desde o momento em que se deitava para dormir à noite até que o sol nascia pela manhã, seus sonhos eram igualmente cheios de grande ansiedade. Sofrendo tal ansiedade e apreensão, o rei Suketuman decidiu acabar com sua miséria cometendo suicídio. Porém percebeu que suicídio lança a pessoa numa condição infernal de renascimento, e assim abandonou essa ideia. Vendo que estava gradualmente se destruindo através de sua ansiedade de ter um filho que o consumia totalmente, o rei afinal montou em seu cavalo e partiu sozinho para a densa floresta. Ninguém, nem mesmo os sacerdotes e Brahmanas do palácio sabiam onde tinha ido.
Nessa floresta que era cheia de veados e aves e outros animais, o rei Suketuman vagou sem destino, notando todos diferentes tipos de árvores e arbustos, tais como figueiras, fruta bel, tamareiras, palmeiras, jaqueiras, árvores bakula, saptaparma, tinduka e tilaka, bem como shala, tala, tamala, serala, hingota, arjuna, labhera, sallaki, karonda, patala, shara, khaira, shaka, palasha. Viu veados, tigres, javalis selvagens, leões, macacos, cobras, grandes elefantes machos no cio, elefantes com suas crias, e elefantes com quatro presas juntos de seus pares. Havia vacas, chacais, lebres, leopardos e hipopótamos. Contemplando todos esses animais acompanhados de seus pares e rebentos, o rei lembrou-se de seu próprio criadouro, especialmente dos elefantes do palácio e ficou tão triste que impensadamente vagava no meio deles.

De repente o rei ouviu o uivo de um chacal á distância. Espantado começou a perambular olhando em todas as direções. Logo era meio-dia e o rei começou a cansar. Estava atormentado pela fome e sede. Pensou: Que ato pecaminoso possivelmente pratiquei que agora sou obrigado a sofrer assim, com minha garganta ressecada e ardendo? Agradei os semideuses com numerosos sacrifícios de fogo e abundante adoração devocional. Dei muitos presentes e deliciosos doces como caridade a todos brahmanas dignos. E cuidei de meus súditos como meus próprios filhos. Porque estou sofrendo assim? Que pecados desconhecidos vieram me atormentar dessa maneira horrível?
Absorto em tais pensamentos o rei Suketuman seguia com esforço, e eventualmente, devido ao seu credito piedoso, chegou a uma bela lagoa que se assemelhava ao famoso lago Manasarovara. Estava cheio de espécies aquáticas, inclusive crocodilos. E muita variedade de peixes e adornado de açucenas. Belos lótus haviam se aberto ao sol, e cisnes, grous e patos nadavam felizes em suas águas. Perto havia muitos ashramas atraentes onde residiam muitos santos e sábios que podia realizar os desejos de qualquer pessoa. De fato, desejavam o bem de todos. Quando o rei viu tudo isso, seu braço direito e olho começaram a tremer. Um sinal de que algo auspicioso estava para acontecer.

Enquanto o rei desmontava de seu cavalo e ficava de pé diante dos sábios, que estavam sentados na beira da lagoa viu que estavam cantando os santos nomes de Deus em suas contas de japa. O rei prestou suas reverências e, de mãos postas, glorificou-os. Estava mais do que feliz por estar na presença deles. Observando o respeito que o rei lhes oferecia, os sábios disseram: “Estamos muito contentes contigo, ó rei. Tenha a bondade de nos dizer por que viestes até aqui? Que se passa em tua mente? Diga-nos o que desejas”.
O rei respondeu: “Ó grandes sábios, quem sois? Quais são vossos nomes, o santos auspiciosos? Porque viestes a este lindo lugar? Por favor, dizei-me tudo”.

Os sábios responderam: “Ó rei, somos os Vishvedevas (1), viemos a essa maravilhosa lagoa para tomar banho. O mês de Magha estará aqui dentro de cinco dias, e hoje é o famoso Putrada Ekadashi. Quem deseja um filho deve observar estritamente este Ekadashi” (2).

O rei disse: “Tentei com tanto esforço ter um filho, se vós grandes sábios estais satisfeitos comigo, por bondade concedei-me um bom filho”.
“O próprio significado de Putrada” responderam os sábios, é * “doador de filhos”. Portanto por favor, observa um jejum completo neste dia de Ekadashi. “Se o fizeres, então por nossa benção e pela misericórdia do Senhor Keshava – obterás um filho”.
Com o conselho dos Vishvedevas, o rei observou o auspicioso dia de jejum de Putrada Ekadashi conforme todas as regras e regulações estabelecidas, e no Dvadashi, após quebrar seu jejum, ele prestou suas reverências repetidamente a todos eles.
Logo depois que Suketuman retornou a seu palácio, a rainha Shaibya ficou grávida, e exatamente como os sábios Vishvedevas tinham predito, nasceu-lhes um belo filho de rosto luminoso. No devido tempo ele se tornou famoso como um príncipe heróico, e o rei de bom grado satisfez seu filho tornando-o seu sucessor. O Filho de Suketuman cuidou de seus súditos mui conscientemente, assim como se fossem seus próprios filhos.

Concluindo: “Ó Yudhishthira, quem deseja realizar seus desejos deve observar estritamente o Putrada Ekadashi. Enquanto estiver neste planeta, quem observa estritamente este Ekadashi certamente obterá um filho, e após a morte obterá a liberação. Qualquer pessoa que lê ou até mesmo ouve as glórias de Putrada Ekadashi obtém o mérito acumulado por realizar um sacrifício de cavalo. É para beneficiar toda humanidade que expliquei tudo isso para ti”.

Assim termina a narrativa das glórias de Pausha-sukla Ekadashi ou Putrada Ekadashi.
Notas

  1.  Os dez Vishvedevas, os filhos de Vishva, são, Vasu, Kratu, Daksha, Kala, Kama, Dhrti, Pururava, Madrava e Kuru.
  2. A palavra sânscrita para filho é “putra”. Pu é determinado inferno, e “tra” significa salvar. Assim a palavra Putra significa “uma pessoa que salva alguém do inferno chamado pu”. Portanto cada homem casado deve produzir pelo menos um filho e treina-lo devidamente: então o pai será salvo de uma condição de vida infernal. Porém essa injunção não se aplica aos devotos sérios do Senhor Vishnu ou Krishna, pois o Senhor se torna seu filho, pai e mãe.


Além do mais Chanakya Pandita diz:

Satyan mata pita janan am
Dharmo Bharata daya sakha
Shanthi patni kashma putrah
Shadete mama vandhava

“A verdade é minha mãe, o conhecimento é meu pai, meu dever ocupacional é meu irmão. A bondade é minha amiga, tranquilidade minha esposa, e perdão meu filho. Esses seis são os membros da minha família”.
Entre as vinte e seis principais qualidades principais de um devoto do Senhor, o perdão é o principal. Portanto devotos devem fazer esforço extra para desenvolver esta qualidade. Aqui Chanakya: “O perdão é meu filho, e, portanto um devoto do Senhor, mesmo embora possa estar na senda da renúncia, poderá observar Putrada Ekadashi e orar por obter este tipo de “filho” “.

Angelina Miranda – Gandharvika Devi Dasi (HDG).