ISKCON Bahia
Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna
Acarya fundador: Sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

A História do Papamocani Ekadasi – 13/03/2018

A Assessoria de Comunicação da ISKCON – Bahia.
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A História do Papamocani Ekadasi.
Traduzido por : Ananya Bhak Dasa (Zuza Lee).
Extraído do livro : Ekadasi, o dia do Senhor Hari, de S.S.
Krishna Balarama Swami.

Maharaja Yudhisthira disse:
-Ó Senhor Supremo, eu ouvi sua descrição sobre o Amalaki Ekadasi, o qual ocorre durante o quarto crescente do mês Phalguna (fevereiro/março), agora desejo ouvir sobre o Ekadasi que ocorre durante o quarto minguante do mês Caitra (março/abril). Qual é seu nome? Ó Senhor, e quais são os resultados obtidos por observá-lo?
A Suprema Personalidade de Deus, Sri Krishna respondeu:
-Ó melhor dentre os reis, para o benefício de todos, Eu descreverei com alegria as glórias deste Ekadasi, o qual é conhecido como Papamocani. A história deste Ekadasi foi narrada ao imperador Mandhata por Rsi Lomasa. O rei Mandhata dirigiu-se assim ao sábio:
-Ó grande sábio, para o benefício de todas as pessoas, por favor, descreva o nome do Ekadasi que ocorre durante o quarto minguante do mês Caitra, e, por favor, explique os benefícios que alguém obtém por observar este Ekadasi.
Lomasa Rsi respondeu:
-O Ekadasi que ocorre durante o quarto minguante do mês Caitra é conhecido como Papamocani. Para o devoto fiel ele remove as influências dos fantasmas e demônios. Ó leão entre os homens, este Ekadasi também concede oitos perfeições da vida, concede todos os tipos de desejos, purifica a vida da pessoa de todas as reações pecaminosas e torna a pessoa perfeitamente virtuosa.
Agora por favor, ouça o acontecimento histórico relativo a este Ekadasi e Citraratha, o chefe dos Gandharvas (músicos celestiais). Durante a estação da primavera, na companhia de apsaras (dançarinas celestiais), Citraratha certa vez chegou a uma bela floresta, repleta de muitas variedades de flores. Ali, ele e as apsaras juntaram-se a outros gandhavas e muitos Kinnaras, juntos com o senhor Indra em pessoa, o rei do céu, o qual estava desfrutando da visita àquele local. Todos sentiam que não havia melhor local que aquela floresta. Muitos sábios também estavam presentes executando austeridades e penitências. Os semideuses particularmente desfrutavam visitando os jardins celestiais durante os meses de Caitra e Vaisakha (abril/maio).
O grande sábio chamado Medhavi residia naquela floresta e as dançarinas mui atrativas, costumavam sempre tentar seduzi-lo. Uma famosa moça em particular, Manjughosa, planejava de muitas maneiras seduzir o sábio exaltado, mas devido ao grande respeito pelo sábio, e temor do seu poder, o qual ele tinha obtido após anos e anos de ascetismo, ela não se aproximava muito dele. Em um local, alguns poucos quilômetros do sábio, ela armou uma tenda e começou a cantar muito docemente enquanto tocava uma tamboura. O cupido em pessoa tornou-se excitado quando ouviu e viu-a executar a música tão belamente e por ter sentido o aroma do seu unguento de pasta de sândalo. Ele lembrou-se de sua própria experiência desafortunada com o senhor Shiva e decidiu vingar-se através de seduzir Medhavi. (nota 1)
Usando as sobrancelhas de Manjughosa como um arco, seus olhares como a corda do arco e seus olhos como flechas, seus seios como alvo, o cupido se aproximou de Medhavi a fim de induzi-lo a romper seu transe e quebrar seus votos. Em outras palavras, o cupido ocupou Manjughosa como sua assistente, e quando ela olhou para aquele poderoso e atrativo jovem sábio, ela também se tornou agitada pela luxuria. Vendo que ele era altamente inteligente e erudito, usando um cordão de brahmana limpo e branco ao redor dos seus ombros e segurando um bastão de sanyasi, e estando sentado no belo ashrama de Cyavana Rsi, Manjughosa foi até ele.
Ela começou a cantar sedutoramente e os pequenos sinos em seu cinturão ao redor de seus quadris, juntos com os braceletes em seus punhos, produziam uma sinfonia musical muito agradável. O sábio Medhavi ficou encantado. Ele compreendeu que aquela bela mulher desejava unir-se com ele, e naquele momento o cupido incrementou a sua atração por Manjughosa atirando suas poderosas armas de tato, aroma, visão e do som.
Vagarosamente Manjughosa aproximou-se de Medhavi, seus movimentos corpóreos e olhares doces o atraíram. Ela graciosamente colocou sua tamboura no chão e abraçou o sábio com seus dois braços, exatamente como uma trepadeira se enrosca numa forte árvore. Cativado, Medhavi abandonou sua meditação e decidiu desfrutar com ela, e instantaneamente a pureza do seu coração e mente o abandonaram. Esquecendo até mesmo a diferença entre o dia e a noite, ele saiu do local com ela por muito tempo. (nota 2)
Vendo que a santidade do jovem yogi tinha sido seriamente corroída, Manjughosa decidiu abandoná-lo e retornar à sua casa. Ela disse:
-Ó grande sábio, por favor, permita-me retornar para minha casa.
Medhavi respondeu:
-Mas você acabou de chegar, ó belíssima, por favor, fique comigo até amanhã.
Temendo o poder místico do sábio, Manjughosa permaneceu com Medhavi precisamente por cinquenta e sete anos, nove meses e três dias. Mas para Medhavi todo esse tempo parecia somente um momento. Novamente ela pediu a ele:
-Por favor, permita que eu parta. Medhavi respondeu:
-Ó querida, por favor, me ouça e fique comigo por mais uma noite, e então você poderá partir amanhã de manhã. Simplesmente fique comigo até eu terminar meus deveres matinais e ter cantado o sagrado Mantra Gayatri. Por favor, espere até eu fazer isto.
Manjughosa ainda tinha medo do poder místico do grande sábio, mas ela forçou um sorriso e disse:
-Quanto tempo você vai demorar a terminar seus hinos e deveres matinais? Por favor, seja misericordioso e pense em todo tempo que você já perdeu comigo.
O sábio refletiu sobre os anos que ele tinha estado com Manjughosa e então disse com grande surpresa:
-Por que eu gastei mais de cinquenta e sete anos com você? Seus olhos ficaram vermelhos e emanaram faíscas. Ele agora aceitava Manjughosa como se ela fosse a morte personificada e a destruidora de sua vida espiritual.
-Sua mulher tola! Você transformou todos os resultados dificilmente obteníveis das minhas austeridades em cinzas. Tremendo de ira, ele lançou uma maldição em Manjughosa:
-Ó pecaminosa! Ó coração de pedra, ó degradada! Você conhece somente o pecado, que toda má fortuna seja para você. Ó mulher tola, eu lhe amaldiçoo a se tornar um duende do mal (pisaca)!
Amaldiçoada pelo sábio Medhavi, a belíssima Manjughosa humildemente implorou-lhe:
-Ó melhor dentre os brahmana, por favor, seja misericordioso comigo e anule sua maldição! Ó grandioso, esta dito que a associação com devotos puros dá de imediato resultado, mas que suas maldições só tomam efeito após sete anos. Estive com você durante cinquenta e sete anos, ó mestre, por favor, seja bondoso comigo!
Medhavi Muni respondeu:
-Ó dama gentil, o que eu posso fazer agora? Você destruiu todas as minhas austeridades. Mas muito embora você tenha feito este ato pecaminoso, eu lhe descreverei uma maneira pela qual você poderá livrar-se da minha maldição. No quarto minguante do mês Caitra, existe um Ekadasi muito auspicioso que remove todos os pecados da pessoa, Papamocani é o seu nome. Ó belíssima, quem quer que jejue neste dia sagrado, torna-se completamente livre de ter que nascer em qualquer tipo de vida malévola. Após proferir estas palavras, o sábio partiu para o ashrama de seu pai. Vendo-o entrar no eremitério, Cyavana Muni disse:
-Ó filho, por ter agido ilicitamente você desperdiçou as riquezas de suas austeridades e penitências. Medhavi respondeu:
-Ó pai, revele gentilmente que penitência eu devo executar para remover este pecado detestável que cometi me associando em local privado com a dançarina Manjughosa. Cyavana muni respondeu:
-Querido filho, você deve jejuar no Papamocani Ekadasi, o qual ocorre durante o quarto minguante do mês Caitra. Ele erradica todos os pecados, não importa o quanto grave eles possam ser.
Medhavi seguiu o conselho de seu pai e jejuou no Papamocani Ekadasi. Assim todos os seus pecados foram destruídos e ele novamente ficou repleto de bons méritos. De maneira similar, Manjughosa observou o mesmo jejum e livrou-se da maldição de torna-se um duende. Subindo novamente aos planetas celestiais, ela rapidamente retornou a sua posição anterior. Lomasa Rsi continuou:
-Assim, Ó rei, o grande beneficio de jejuar no Papamocani Ekadasi é que, quem quer que o faça com fé e devoção, terá todos os seus pecados destruídos.
Sri Krishna concluiu:
-Ó rei Yudhisthira, quem quer que leia ou ouça sobre o Papamocani Ekadasi, obtém o mesmo mérito que alcançaria se doasse mil vacas em caridade, e também nulifica as reações pecaminosas que possa ter feito por matar um brahmana, matar um embrião através do aborto, de ter bebido licor, ou ter feito sexo com a esposa de seu guru. Tal é o benefício incalculável de observar corretamente este dia sagrado de Papamocani Ekadasi, o qual é muito querido para Mim e tão meritório.
Assim acaba a narração das glórias do Caitra Krishna Ekadasi, ou Papamocani Ekadasi do Bhavisya Uttara Purana.
NOTAS
1)Após o Senhor Shiva ter perdido sua querida esposa Sati na arena sacrificial do prajapati Daksa, o senhor Shiva destruiu toda arena. Então ele ressuscitou o seu sogro Daksa, colocando nele a cabeça de um bode e finalmente ele sentou-se para meditar por sessenta mil anos. Contudo, o senhor Brahma providenciou que Kamadeva (cupido) viesse interromper a meditação do senhor Shiva. Usando as flechas do som, tato, sabor, visão e aroma, o cupido atraiu Shiva, o qual por fim despertou do transe. Ele ficou muito irado por ter sido perturbado e instantaneamente transformou o cupido em cinzas, com um simples olhar do seu terceiro olho.
2)A associação luxuriosa com mulheres ou homens é tão poderosa que a pessoa até se esquece do tempo, energia, posses e até mesmo sua própria identidade.
De acordo com Yajnavalkya Muni, uma pessoa celibatária (homem ou mulher) que deseja a vida espiritual, deve abandonar todo tipo de envolvimento sexual, incluindo: pensar em sexo, ver cenas de sexo, falar sobre sexo, se associar com pessoas inclinadas a sexo, aceitar serviços delas ou ter intercurso sexual com elas.

“Todas as Glórias as Devotas e Devotos Reunidos”
Salvador, 13 de Março de 2018.

 

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