Artigo – O GBC da ISKCON – Por Hridayananda Goswami

A Assessoria de Comunicação da ISKCON – Bahia
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Conclusão e Sumário do Ensaio “O GBC da ISKCON”

Por Hridayananda das Goswami
23 de julho de 2016.
Traduzido em 21 de Julho de 2017 – por David Britto.

Sumário de O GBC da ISKCON

Eu comecei este ensaio explicando que embora o GBC seja a autoridade máxima de administração na ISKCON, tem havido momentos cruciais na história da ISKCON em que devotos não-GBC mostraram o ímpeto e lógica para que uma ação urgente fosse tomada pelo GBC.

Além disto, Prabhupada queria todos nós trabalhando juntos, como ele deixou claro quando convocou pela primeira vez o encontro anual do GBC em Mayapura.

Usando a palavra político em seu sentido neutro para indicar o exercício de autoridade em uma sociedade, eu descrevi o efeito pendulum político, pelo qual um extremo administrativo, seja este, anarquia ou tirania, produz seu extremo oposto. Isto deveria nos alertar para evitar extremos administrativos na ISKCON.

Eu mostrei como Prabhupada queria que nos engajássemos em todos os campos de conhecimento avançado, incluindo ciência sociais, no serviço ao Senhor e neste espírito, eu engajo o conhecimento acadêmico em minha tentativa de analisar a governança da ISKCON.

Eu comecei com a sociologia da religião padrão, que fala das três formas de autoridade em movimento religioso: carismática, tradicional e racional-legal.

Vimos que para sobreviver e florescer, um movimento religioso deve canalizar o poder e autoridade espiritual de seu fundador carismático em tradições institucionais sustentáveis e leis racionais. De fato, a Gauḍīya Maṭha se desintegrou porque falhou em executar este processo.

Eu então analisei uma autodescrição do GBC do sítio virtual oficial do GBC e concluí que pelo menos nesta declaração, o GBC concluiu erroneamente que em seu testamento, Prabhupada tinha apontado-os o ācārya sucessor, e herdeiro, da ISKCON.

Eu argumentei que, de fato, Prabhupada fez exatamente o que ele disse que estava fazendo: nomeando o GBC como a autoridade administrativa máxima da ISKCON, não como um Ācārya sucessor que fica acima da lei da ISKCON. O GBC falhou em apresentar evidência histórica para o argumento deles de que Prabhupada implicitamente nomeou como seu herdeiro pleno e sucessor, simplesmente nomeando-os na primeira cláusula de seu testamento.

Eu então discuti os perigos para a ISKCON desta auto-compreensão errônea, na qual almas imperfeitas clamam a autoridade de uma alma perfeita. Almas imperfeitas sofrem de perda de empatia na proporção de seu aumento de poder. Também, o GBC é uma oligarquia e a lei de ferro da oligarquia explica a tendência de regrar grupos para aumentar o poder delas às custas dos cidadãos; e a tendência do poder de cair em cada vez menos mãos.

A tendência dos GBCs santificados de evitar administração pesada contribui para este problema.

Nós então vimos que a história está repleta de casos de tiranos austeros e pios que agiram cruelmente. O GBC não é cruel, mas, seus membros que não são totalmente puros serão afetados até certo ponto pelas tendências humanas em geral.

Talvez, a mais significante manifestação deste erro é a tendência do GBC de atuar acima e fora das regras de justiça, tais como o processo justo. Eu argumentei que ao obedecer a leis razoáveis, o GBC segue Prabhupada. Agir fora destas leis é imitar Prabhupada.

Eu então discuti noções ocidentais e védicas de justiça e mostrei que ambas as tradições ligam justiça à igualdade das almas, e a necessidade de governar de um modo que maximize a liberdade humana.

O Próprio Kṛṣṇa ensina a justiça e a igualdade no Bhagavad-gītā.

Eu expliquei que Kṛṣṇa também ensina a hierarquia em termos do sistema varṇāśrama que Ele criou, e que uma sociedade virtuosa deve equilibrar a igualdade espiritual de todas as almas com a necessidade de uma hierarquia funcional. Esta preocupação encontra eco próximo na filosofia ocidental, como nas ideias de Mill e Durkheim.

Eu então examinei as categorias de justiça e a importância especial do processo justo.

Um estudo da lei GBC/ISKCON mostrou que a linguagem mesmo da justiça – palavras como igualdade, justiça, processo justo, direitos etc. – está faltando na lei da ISKCON. Também o GBC permitiu que o Ministério da Justiça fosse extinguido até a total disfunção e não tomou a iniciativa de reaviva-lo ou substituí-lo.

Eu então mostrei que a restrição e a punição na lei do GBC são mais pesadas naqueles com pouco ou nenhum poder, e mais leves naqueles com poder máximo. Isto tem implicações e perigos óbvios.

Dei especial atenção às dramáticas disparidades nas regras, restrições e punições dadas aos dois grupos mais poderosos na ISKCON: GBC e Gurus.

Um exame do processo de apelação na lei do GBC mostrou este ser seriamente deficiente.

Isto importa, uma vez que o direito de apelar é um pilar da justiça.

Eu em seguida examinei a importância do artigo do GBC intitulado Entendendo as Linhas de Autoridade na ISKCON. O ensaio intenta definir e clarificar o relacionamento entre os administradores da ISKCON, tais como os GBCs e os Presidentes de Templos, e os Gurus e Sannyāsīs da ISKCON.

Eu apreciei a intenção do artigo, de persuadir os devotos de que o GBC é razoável e justificado em suas políticas. Entretanto, eu apontei uma variedade de problemas sérios no ELAI [em inglês UILA], tais como a tendência a exagerar o poder do GBC e minimizar o papel de outras autoridades da ISKCON. Vimos isso na virtual exclusão do ELAI dos gurus e sannyāsīs do planejamento da estratégia de pregação.

O ELAI também tende a subordinar fortemente todos os devotos aos administradores máximos da ISKCON. Prabhupada enfatizou a cooperação. O GBC enfatiza subordinação. Prabhupada também enfatizou a importância da liberdade e dignidade individuais entre os servos do Senhor. Há pouca de tal linguagem no ELAI.

O ELAI cita Prabhupada dizendo que o GBC será o professor primeiro da ISKCON quando ele se for. E então sugeri que o GBC deve fazer, e não faz, para cumprir este mandato. Por exemplo, os GBCs não devem usar o poder político para excluir ideias que eles não podem refutar objetivamente, nem impor ideias que eles não podem razoavelmente mostrar serem exclusivamente válidas. Isto tem sido um problema na ISKCON.

Uma vez que Prabhupada urgiu que o GBC escrevesse uma constituição, eu em seguida examinei o último esboço de constituição. Eu mostrei que este esboço é bem-intencionado e sábio em alguns pontos, mas, que ele em última instância falha em inspirar, mandatar, ou explicar a justiça na ISKCON. Assim, ele não cumpre seu propósito declarado – proteger nossos direitos, e estabelecer uma fundação constitucional para uma ISKCON racional e justa.

Finalmente, eu mostrei que o ISKCON Resolve, um programa efetivo de mediação, e, o mais recente Escritório de Resolução de Disputa da ISKCON, não podem, por suas próprias licenças e regras, assegurar justiça aos devotos da ISKCON.

Por Que Justiça?

Sem justiça nenhuma autoridade administrativa regrará dentro de uma cultura de impunidade, na qual mediocridade, tirania e injustiça passam despercebidas.

Quanto mais os devotos estão convencidos de que o GBC governa com justiça, compaixão e ingenuidade estratégica, mais os devotos agora estranhos às burocracias e hierarquias da ISKCON se considerarão mais diretamente envolvidos na missão da ISKCON. Apenas assim, pode o GBC cumprir a obrigação deles à Prabhupada – unir a ISKCON e difundir dinamicamente seu movimento.

Existe entre os devotos GBC e não-GBC um relacionamento de obrigação mútua, dever mútuo. O GBC recebe sua autoridade de Kṛṣṇa através de Prabhupada. Esta autoridade requer que eles tratem os devotos com respeito e equidade.

É dever do GBC fazer o que é certo, justo e benéfico para a ISKCON. E eles devem persuadir os devotos de que eles estão fazendo isto.

Hierarquia e igualdade devem ser mantidas em equilíbrio. O GBC não deve super enfatizar a hierarquia de forma que esta obscureça nossa igualdade última. Nem podemos super enfatizar a igualdade de forma que ela obscureça as hierarquias legítimas. Igualdade extrema e hierarquia extrema, ambas ameaçam a visão equilibrada de Prabhupada para a ISKCON. Devemos evitar o efeito do pendulum político.

Enfim, a ISKCON precisa de um GBC forte, sábio e inspirador se for para florescermos como uma sociedade e cumprir as esperanças e profecias brilhantes e ambiciosas de nosso Fundador-Ācārya.

Escrevi este artigo como uma tentativa sincera de me dirigir às reformas necessárias na governança da ISKCON. Espero que o GBC e outros devotos da ISKCON o aceitem neste espírito. Para todos aqueles que lerem estas palavras, que possamos juntos cumprir a visão de Prabhupada para seu movimento, a ISKCON. O mundo depende de nós.

* A tradução integral gratuita do ensaio para o português encontra-se aqui pela Coletivo Editorial/Sankirtana Books
Fonte: Hdgoswami.com – Título Original: ISKCON’s GBC
Tradução por David Britto, em 21 de julho de 2017.
Disponível no blog Notícias Vaisnavas Internacionais e no Facebook

“Todas as Glórias as Devotas e Devotos Reunidos”
Salvador, 22 de Julho de 2017.

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